MARTELO BATIDO: Privatização da Copasa avança e Norte de Minas teme disparada na conta de água

Por Redacao JNM
junho 7, 2026 Atualizado há4 dias atrás
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O processo de desestatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) viveu o seu capítulo mais decisivo nesta semana mais precisamente na última quarta-feira dia 3 de junho de 2026. A holding Equatorial foi definida como a “investidora de referência finalista” no certame promovido pelo Governo de Minas, ofertando R$ 49,03 por ação, o que representa um aporte total de R$ 5,59 bilhões. Com o avanço do leilão, o Norte de Minas — uma das regiões que mais dependem do subsídio cruzado da estatal para manter obras em áreas de vulnerabilidade social e climática — acompanha os desdobramentos com atenção e preocupação.

O projeto de lei que autorizou a venda da companhia foi aprovado em definitivo pela Assembleia Legislativa (ALMG) no fim do ano passado, sob forte obstrução da oposição e protestos de sindicatos. Agora, o processo caminha para a fase final de oferta pública de ações no mercado financeiro, reduzindo drasticamente a participação do Estado no controle do saneamento.

O Desafio do Norte de Minas: Clima e Universalização

A grande linha de debate na região gira em torno da garantia de investimentos. Pelo texto aprovado e pelas regras do Novo Marco Legal do Saneamento, a iniciativa privada que assume o controle da Copasa é obrigada por lei a cumprir metas de universalização dos serviços de abastecimento de água (99%) e esgotamento sanitário (90%) até 2033. O texto também exige expressamente a inclusão de comunidades rurais e núcleos urbanos informais consolidados.

Historicamente, o Norte de Minas funciona sob a lógica do “subsídio cruzado”: o lucro gerado pela Copasa nas grandes e ricas cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte ajuda a financiar e baratear a operação de sistemas complexos e deficitários no Semiárido mineiro.

Para lideranças políticas e movimentos sociais da região, o receio é que a busca por lucro imediato pela nova gestão resulte em dois problemas imediatos:

  • Aumento na conta de água: Críticos ao modelo apontam para os exemplos de cidades que privatizaram o serviço, temendo o encarecimento da tarifa básica.
  • Abandono da zona rural: A dúvida de moradores do interior é se pequenos distritos e comunidades tradicionais que sofrem com a seca receberão a atenção necessária, já que dão menos retorno financeiro.

Fiscalização e Próximos Passos

Por outro lado, defensores da privatização e membros do Governo do Estado argumentam que a entrada do capital privado dará a agilidade necessária que o poder público não tem para injetar bilhões em infraestrutura rapidamente, garantindo que a água tratada chegue mais rápido a quem ainda depende de caminhões-pipa.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) chegou a impor restrições e cobrar ajustes na modelagem do negócio no início do ano para dar maior segurança jurídica e proteção aos municípios. Diante do desfecho do leilão, prefeitos da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams) e comitês de bacias hidrográficas afirmam que o papel agora será de fiscalização rigorosa. Os contratos municipais de concessão deverão ser monitorados de perto pelas agências reguladoras para garantir que nenhuma comunidade fique desassistida e que os prazos de obras no Norte de Minas sejam rigorosamente cumpridos.

Fique por dentro: A consolidação total da nova estrutura acionária deve ocorrer nas próximas semanas após a liquidação financeira das ações na Bolsa de Valores. O Jornal Norte de Minas continuará acompanhando os impactos diretos da transição nas tarifas e no abastecimento dos municípios da nossa região.

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