Trabalhadores da Copasa denunciam transferências compulsórias de até 900 km após privatização
Trabalhadores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) estão denunciando uma onda de transferências compulsórias para municípios distantes. Segundo os relatos, as mudanças vêm sendo impostas sem diálogo prévio, gerando graves impactos na vida familiar e na saúde mental dos funcionários.
As denúncias apontam que a pressão está relacionada à recente privatização da estatal. De acordo com representantes da categoria, cerca de 3 mil dos aproximadamente 9 mil empregados da companhia correm o risco de ser transferidos para cidades que ficam a até 900 quilômetros de suas residências atuais. A medida ocorre mesmo após a categoria ter conquistado uma garantia de estabilidade por 18 meses durante o processo de desestatização.
Notificação por e-mail e debate na ALMG
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos de Minas Gerais (Sindágua) afirma que muitos funcionários têm recebido ordens de transferência diretamente por e-mail, de forma abrupta e sem qualquer espaço para negociação.
O problema ganhou repercussão estadual em uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O debate foi promovido pela Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, após uma solicitação do deputado estadual Betão (PT).
Valores de auxílio-mudança são questionados
Os sindicalistas também contestam as verbas oferecidas pela empresa para custear os deslocamentos, classificando-as como insuficientes. Segundo o Sindágua, o cenário dos auxílios funciona da seguinte forma:
- Até 75 km: Não há qualquer tipo de ajuda de custo para o deslocamento;
- Entre 75 km e 150 km: O auxílio pago é de R$ 1.621;
- Acima de 150 km: A indenização para longas distâncias é limitada ao valor equivalente a apenas um salário do trabalhador.
O outro lado
Em nota oficial, a Copasa negou que as medidas sejam uma retaliação ou pressão decorrente da privatização. A companhia alegou que as readequações e movimentações de pessoal fazem parte de um plano de reestruturação organizacional e modernização administrativa que vem sendo planejado e executado de forma gradual desde 2024. Segundo a empresa, as mudanças são baseadas em estudos técnicos voltados para a otimização das operações.
O Jornal Norte de Minas segue acompanhando os desdobramentos das negociações entre o sindicato e a direção da empresa.
Douglas Muniz
Douglas Muniz é um jornalista de 26 anos que personifica a nova geração da comunicação no interior mineiro, atuando com um estilo prático e dinâmico que transita entre o rádio, a TV e o jornalismo digital. Sempre atento as novas notícias do Norte de Minas.
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