VEREDAS GERAIS: Polícia Federal investiga prefeito interino de Bonito de Minas por compra de votos
Operação apreendeu R$ 55 mil em dinheiro vivo na casa do político; investigação aponta promessas falsas a famílias carentes, transporte ilegal de eleitores e ameaças.
O cenário político de Bonito de Minas, no Norte do estado, volta a ser alvo de escândalo. A Polícia Federal deflagrou a Operação Veredas Gerais para apurar graves crimes eleitorais que teriam sido cometidos no município. O principal alvo da ação é o agente político que atualmente ocupa, de forma interina, a chefia do Executivo municipal.
Agentes federais cumpriram dois mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). Durante as buscas na residência do prefeito interino, a PF apreendeu R$ 55 mil em espécie (dinheiro vivo), além de celulares e documentos que podem robustecer as investigações.
Promessas falsas, esquema de transporte e ameaças
A operação foi desencadeada após denúncias detalhadas sobre captação ilícita de sufrágio (a popular compra de votos) e transporte irregular de eleitores durante o pleito municipal de 2024. De acordo com a Polícia Federal, o investigado teria atuado em três frentes criminosas:
- Abuso da vulnerabilidade: O político teria prometido vantagens em troca de apoio nas urnas. Em um caso emblemático e cruel, ele ofereceu materiais de construção para cinco membros de uma mesma família que morava em condições precárias na zona rural. A promessa nunca foi cumprida e a casa da família acabou desabando devido às fortes chuvas.
- Logística clandestina: O investigado organizou um esquema de transporte ilegal de eleitores, pagando motoristas particulares e traçando rotas, tipos de veículos e pontos estratégicos de embarque e desembarque para burlar a fiscalização local.
- Coação: Ele também está sendo investigado por supostas ameaças de morte ou integridade física contra a pessoa que denunciou o esquema às autoridades.
Se confirmadas as suspeitas, o político responderá pelos crimes de captação ilícita de sufrágio, transporte irregular de eleitores e ameaça.
Entenda o nó político em Bonito de Minas
O alvo da operação é Dilson de Senhorinha (Dilson Barbosa Santana), filiado ao União Brasil. Ele chegou a ser o candidato mais votado nas eleições de 2024, obtendo 51,72% dos votos válidos. No entanto, ele nunca pôde assumir o cargo de forma definitiva.
Histórico de irregularidades: O registro de candidatura de Dilson foi indeferido pela Justiça Eleitoral por conta de uma condenação anterior por abuso de poder político nas eleições de 2020. A sua inelegibilidade foi confirmada em definitivo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em fevereiro de 2026.
Por conta desse imbróglio jurídico, a prefeitura vem sendo gerida interinamente pelo presidente da Câmara Municipal desde janeiro de 2025. Para dar um fim à instabilidade política na cidade, o TRE-MG já marcou eleições suplementares para prefeito e vice, que serão realizadas no dia 21 de junho de 2026.
Douglas Muniz
Douglas Muniz é um jornalista de 26 anos que personifica a nova geração da comunicação no interior mineiro, atuando com um estilo prático e dinâmico que transita entre o rádio, a TV e o jornalismo digital. Sempre atento as novas notícias do Norte de Minas.
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