De pai para filhas: sucessão familiar e inovação impulsionam o legado da cachaça artesanal em Salinas

Ricardo Guimarães
Por Ricardo Guimarães
setembro 23, 2026 Atualizado há7 horas atrás
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De pai para filhas: sucessão familiar e inovação impulsionam o legado da cachaça artesanal em Salinas

Quando as irmãs Daniele e Leila Dayse Sarmento desembarcaram em Salinas, no Norte de Minas, trazendo na bagagem o prêmio Duplo Ouro da Expocachaça de 2021 uma das mais prestigiadas distinções do segmento no país , a viagem representou mais do que uma conquista comercial. Foi a confirmação de que o legado de mais de três décadas construído pelo pai, Antônio Sarmento, o “Seu Tonico”, continuava vivo e em mãos firmes.

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A trajetória da família Sarmento reflete um movimento constante no Norte de Minas: a união entre a preservação do saber artesanal, a inovação nos negócios e a valorização do território de origem.

O início de uma nova fase

A virada na gestão começou em 2019. Diante do impacto da pandemia e da necessidade de Seu Tonico se afastar das atividades para cuidar da saúde, Daniele assumiu os rumos comerciais da empresa. A participação na Expocachaça de 2021 nasceu, originalmente, como uma homenagem aos 30 anos da Cachaça Salineira marca fundada em 1989 pelo pai e conhecida pelo envelhecimento em dornas de bálsamo.

Com uma edição comemorativa limitada em mil garrafas, elaborada a partir de estoques antigos guardados na fazenda, as irmãs testaram a aceitação do mercado. O resultado superou as expectativas.

“Nossa história à frente da cachaçaria começou com essa homenagem. Reunimos o que estava no estoque e levamos ao concurso. Sempre víamos esse potencial de mercado nas cachaças do nosso pai”, relembra Daniele.

Com o reconhecimento do concurso, Leila, que até então trabalhava no setor bancário, juntou-se definitivamente à irmã no comando do negócio.

Modernização sem perder a essência

Sob a nova gestão, a propriedade passou por uma reorganização estrutural. O projeto incluiu a reforma das instalações na fazenda, o plantio de novos canaviais e a modernização do sistema de irrigação.

A primeira safra produzida 100% sob o comando da nova geração ocorreu em 2023, mantendo as premissas tradicionais que consagraram o rótulo: colheita manual da cana e fermentação natural. Lançada em 2024, a nova remessa teve aceitação imediata.

Ampliação de portfólio e identidade territorial

Além de manter o padrão da marca principal, a dupla diversificou a atuação da empresa com a Cachaça Valiosa, marca paralela da família. Sob a nova direção, a Valiosa ganhou três expressões:

  • Valiosa Clássica (Branca): Armazenada em dornas neutras.
  • Blend de Madeiras: Combinação envelhecida em duas madeiras.
  • Carvalho: Edição focada em notas amadeiradas intensas.

Para reforçar o vínculo com o Norte de Minas, o rótulo da Valiosa traz estampado o mapa do município de Salinas, destacando a localização exata da fazenda produtora.

“A proposta amplia o portfólio da empresa sem perder o compromisso com a produção artesanal”, explica Daniele.

Atualmente, a produção anual do alambique é mantida na casa dos 15 mil litros, preservando a escala artesanal com foco no segmento premium.

Coleção de medalhas e orgulho da tradição

A estratégia de reposicionamento refletiu-se em premiações expressivas. Hoje, os rótulos geridos pelas irmãs somam sete medalhas nacionais:

  • Cachaça Valiosa Clássica: Premiada no concurso New Spirits nos anos de 2025 e 2026.
  • Cachaça Salineira: Medalha de Ouro celebrando os 35 anos da marca, além de premiação para a edição comemorativa retrô.

Aos 87 anos, Seu Tonico acompanha o trabalho das filhas na propriedade e celebra a continuidade do projeto que começou nos anos 1980. “Fiquei satisfeito em ver elas seguirem o plano que eu construí. Está sendo muito bom”, afirma.

A força do território de Salinas

O caso das irmãs Sarmento ilustra a força da cadeia produtiva em Salinas, considerada uma das capitais nacionais da cachaça artesanal. O setor conta com o apoio de entidades como o Sebrae Minas por meio do programa ALI Rural e da Associação de Produtores Artesanais de Cachaça (Apacs).

O Impacto Econômico da Cachaça em Salinas

  • Volume anual: Aprox. 5 milhões de litros produzidos.
  • Movimentação financeira: R$ 70 milhões por ano na economia local.
  • Selo de Origem: Indicação Geográfica (IG) concedida pelo INPI em 2012 na modalidade Indicação de Procedência.

A certificação do INPI atesta que a reputação, o clima, o solo e o saber fazer da região conferem características únicas à bebida, consolidando Salinas como referência global em bebidas destiladas de alta qualidade.

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Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Norte

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