MPMG DENUNCIA SETE PESSOAS POR ABUSO, TORTURA E CÁRCERE PRIVADO EM CLÍNICAS CLANDESTINAS EM MONTES CLAROS

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outubro 20, 2026 • Atualizado há5 minutos atrás
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Investigação aponta 15 vítimas entre 2023 e 2026, incluindo nove adolescentes e quatro mulheres com transtorno mental; grupo mantinha vítimas trancadas e impunha castigos físicos e psicológicos

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou uma denúncia formal contra sete pessoas ligadas a uma rede de clínicas clandestinas de internação sediada em Montes Claros, no Norte de Minas. Os denunciados são suspeitos de envolvimento em crimes graves, incluindo organização criminosa, cárcere privado, tortura, estupro, importunação sexual e coação no curso do processo.

De acordo com as investigações do MPMG, a apuração identificou pelo menos 15 vítimas de abusos cometidos entre os anos de 2023 e 2026. Entre os atingidos, nove eram adolescentes à época dos fatos e quatro eram mulheres com transtorno mental.

Estrutura do Grupo e Internações Indevidas

A denúncia do Ministério Público detalha o papel exercido pelos investigados dentro do esquema:

  • Principais Denunciados: O proprietário das clínicas — apontado como o líder da organização —, três coordenadoras, uma técnica em enfermagem, um psicólogo e um encarregado da vigilância dos internos.
  • Financiamento e Decisões Judiciais: Parte das vítimas foi conduzida às unidades por meio de decisões judiciais de internação compulsória, com custos pagos por municípios mineiros.

O MPMG ressalta que as internações ocorriam de forma ilegal, uma vez que a legislação proíbe o acolhimento forçado em comunidades terapêuticas, destinadas exclusivamente à adesão voluntária. Segundo o órgão, os pacientes não dispunham de tratamento médico adequado nem de acompanhamento técnico, e as decisões judiciais eram exibidas de forma indevida para justificar a “recaptura” daqueles que tentavam fugir.

Maus-Tratos, Trabalho Forçado e Abusos

Conforme a apuração ministerial, o cotidiano dentro das instalações era marcado pela privação severa de direitos e maus-tratos. As vítimas permaneciam retidas sem documentos e sem acesso a telefones, com o contato familiar restrito a apenas uma vez por semana sob constante monitoramento.

A disciplina era mantida por meio do uso de medicação psicotrópica sem prescrição médica, amarração em camas com faixas de contenção, agressões físicas e imposição de trabalho forçado. O MPMG apontou ainda que o proprietário se aproveitava da privação de liberdade e da posição de autoridade para submeter internas a abusos sexuais.

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