Lula Adota ‘Cautela Ativa’: Condena Ataques Unilaterais e Tenta Mediar Crise no Irã
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu a postura do Brasil diante da guerra aberta entre a coalizão liderada por EUA/Israel e o Irã como uma de “cautela ativa”. Em pronunciamento e articulações diplomáticas realizadas nas últimas 48 horas, o mandatário brasileiro condenou a ofensiva militar unilateral, mas evitou críticas diretas e personalizadas aos líderes envolvidos, focando na defesa de uma “solução negociada” e colocando o Brasil à disposição como mediador.
1. Condenação ao Unilateralismo e Defesa do Direito Internacional
O posicionamento oficial do governo, ecoado por Lula, foi formalizado através de nota do Itamaraty. O ponto central é a condenação de ataques realizados sem o aval do Conselho de Segurança da ONU.
- Ataque “Ilegítimo”: Fontes do Planalto indicaram que, na visão do governo, a operação “Fúria Épica” (Epic Fury), liderada pelo presidente americano Donald Trump, enterrou qualquer resquício de legitimidade do Conselho de Paz criado pelos EUA, uma vez que a Carta das Nações Unidas só permite ataques em legítima defesa ou com autorização multilateral.
- Apelo à Contenção: Lula fez um apelo veemente a todas as partes para que exerçam “máxima contenção”, visando proteger civis e evitar que o conflito se espalhe de forma incontrolável pela região.
2. Diplomatas Brasileiros em Ação: O Papel de Celso Amorim
Lula tem trabalhado em estreita colaboração com seu assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim. Em conversas recentes, ambos reforçaram que o foco do Brasil deve ser a via diplomática, mesmo em um cenário de hostilidades extremas.
- Evitando Condenações Diretas: A estratégia é evitar uma condenação direta a Israel ou ao Irã por seus atos de agressão e retaliação, concentrando o discurso na necessidade de interromper a escalada militar e retomar o diálogo.
3. Oferta de Mediação e o Fator Trump
Com um encontro previsto com o presidente Donald Trump para este mês de março (cuja data exata tornou-se incerta devido à guerra), Lula planeja usar a oportunidade para defender o diálogo direto entre Washington e Teerã.
- Brasil como Mediador: Fontes diplomáticas avaliam que o presidente brasileiro pode se oferecer formalmente para mediar conversas entre as partes envolvidas, caso haja abertura.
- Agenda sob Risco: A intensidade dos combates e o fechamento do espaço aéreo na região colocaram em dúvida a conveniência e a viabilidade do encontro Lula-Trump na data originalmente prevista, embora o diálogo continue sendo uma prioridade brasileira.
4. Preocupações Domésticas: Economia e Brasileiros
Além da diplomacia, o pronunciamento e as ações de Lula refletem sérias preocupações com os impactos internos da guerra:
- Alta do Petróleo e Inflação: O bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz fez o preço do petróleo disparar globalmente. A principal preocupação do governo brasileiro não é o salto pontual, mas o prolongamento do conflito, o que pressionaria a Petrobras a repassar aumentos para os combustíveis, afetando diretamente a inflação no Brasil.
- Repatriação de Brasileiros: O Itamaraty está monitorando a situação de brasileiros na região, especialmente aqueles retidos em aeroportos como Dubai e Abu Dhabi devido às restrições de voos. A recomendação oficial é que viajantes evitem a área de conflito.
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