CRISE FINANCEIRA E RENÚNCIA DO PRESIDENTE SACODEM O PARAGUAI, O EX-“NOVA SUÍÇA” DA AMÉRICA DO SUL
Onda de instabilidade no país vizinho acende alerta no comércio brasileiro; modelo de impostos baixos e atrações fiscais enfrenta seu pior momento.
Uma tempestade política e financeira de proporções históricas sacudiu o Paraguai nesta quinta-feira (5). O presidente da República, Santiago Peña, renunciou oficialmente ao cargo após o colapso do Ueno Bank a maior instituição financeira digital do país , que entrou em processo de liquidação pelo Banco Central do Paraguai (BCP).
A queda do governo ocorre em um momento em que o país vizinho tentava se consolidar perante o mercado internacional como a “Nova Suíça” da América do Sul. Ancorado em uma política de impostos reduzidos (o famoso regime “triplo 10”, com alíquotas de 10% para IVA, Imposto de Renda e imposto corporativo), o Paraguai vinha atraindo massivamente empresários, indústrias e capitais brasileiros. Contudo, a fragilidade fiscal e a falta de mecanismos rigorosos de controle regulatório expuseram o reverso desse modelo de baixa tributação.
O Escândalo do Ueno Bank e a Fraude dos Empréstimos
A crise começou quando o Banco Central paraguaio assumiu o controle e decretou a intervenção no Ueno Bank. O órgão regulador identificou que o índice de solvência da instituição havia desabado para menos da metade do exigido por lei, além de constatar que o banco vinha concedendo empréstimos milionários e de alto risco para empresas pertencentes ao seu próprio grupo controlador, o Grupo Vázquez.
O encerramento repentino das operações afetou cerca de 3 milhões de clientes quase metade da população do país , que tiveram contas e cartões bloqueados do dia para a noite. O choque financeiro se agravou ao ser revelado que o banco custodiava cerca de US$ 850 milhões em verbas públicas do Estado, incluindo US$ 355 milhões provenientes dos fundos de previdência e aposentadoria de trabalhadores estaduais.
A Justiça paraguaia agiu rapidamente e determinou a prisão preventiva de oito executivos e dirigentes do banco, entre eles o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o diretor-executivo Federico Miguel Vázquez.
Onda de Renúncias: Do Banco Central à Presidência da República
O escândalo desovou em um grave conflito de interesses que atingiu a alta cúpula do governo. O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo que presidiu a financeira Ueno até 2023 , renunciou ao cargo na terça-feira (3) sob fortes acusações de omissão e blindagem na fiscalização do sistema.
A pressão sobre o Palácio de López tornou-se insustentável quando oposição e aliados relembraram que o próprio presidente Santiago Peña foi acionista do Grupo Vázquez até março de 2025. Diante da abertura de um processo de impeachment no Congresso Nacional e do avanço de violentos protestos em Assunção, Peña pronunciou um pronunciamento à nação confirmando sua renúncia:
“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade de nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou Santiago Peña.
Com a renúncia de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assume a chefia do Poder Executivo paraguaio.
Apreensão no Brasil e no Comércio de Fronteira
A queda vertiginosa da “Nova Suíça” sul-americana envia ondas de choque para o Brasil. Empresários brasileiros que transferiram operações industriais para o país sob o regime de maquila e comerciantes de cidades fronteiriças como Foz do Iguaçu (PR) e Ponta Porã (MS) acompanham a crise com apreensão. A instabilidade política ameaça a continuidade dos incentivos fiscais paraguaios e projeta volatilidade para o mercado de câmbio regional.
Redacao JNM
Formada por estágiários em jornalismo e colaboradores independentes do Norte de Minas
Ver todos os artigos →Notícias Relacionadas
Nomes de peso no Norte de Minas ganham projeção com…
Com o objetivo de garantir mais segurança e fluidez ao…
Trabalhadores da Caixa Econômica rejeitam oferta do banco e cruzam…
Deixe um comentário